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Disseminação de "novos Netflix" deverá fazer a pirataria voltar com tudo

UOL Tecnologia

23/09/2019 04h00

Expansão de serviços de streaming pode dar novo impulso à pirataria (Foto: Cava)

Quem culpa a internet talvez não tenha idade para lembrar que a pirataria já corria solta com disquetes, fitas K7 e VHS. A facilidade do ambiente digital apenas potencializou essa prática.

Apesar de ser ilegal, muitas pessoas já fizeram pirataria na vida – seja de jogos, músicas, filmes e software. Os motivos podem ser o alto custo ou a distribuição falha ou demorada, mas de qualquer forma a falta de acesso impulsionou a pirataria por décadas.

Mas a verdade é que, tirando o famoso gatonet (acesso pirata a canais pagos de TV), a pirataria deixou de fazer sentido para muita gente. Com Spotify, Netflix e jogos custando poucos reais por mês, o ato de baixar conteúdos ilegalmente começou a ser deixado de lado.

Dividir senhas com os amigos e familiares passou a ser a nova pirataria, mas essa prática não impediu o crescimento de serviços como a Netflix, que no Brasil já fatura mais que o SBT.

Este cenário vai mudar muito em breve. Como todo mundo já sabe, a concorrência vai aumentar e muito. Ano que vem teremos Amazon Prime Video, YouTube Premium, Apple TV+, Globoplay, HBO Max, Disney+ e Netflix, entre outros.

Contabilizando apenas quatro destes players, o investimento em conteúdo original em 2020 passará dos US$ 30 bilhões, o equivalente a mais de R$ 120 bilhões.

O Spotify já demonstrou que será mais firme com o compartilhamento de senhas. Segundo o app, família é só quem mora na mesma casa.

Porém existe uma diferença grande entre as plataformas de música e as de filmes e séries. Apesar de o podcast ter voltado à moda, ainda não é suficiente para diferenciar uma plataforma de outra, quando todas têm dezenas de milhões de músicas disponíveis.

Com tantos bilhões investidos em conteúdo original nos serviços de televisão, a escolha do consumidor deixará de ser apenas uma questão de custo benefício. E a pirataria vai voltar com todas as forças.

Em 2008, participei de uma grande pesquisa realizada pelo Datafolha e descobrimos que 71% da população brasileira assumia que comprava CDs ou DVDs piratas. Faça as contas, os 4 milhões de gatonet ficaram pequenos agora.

Nessa época, conheci pessoas que se recusavam a comprar CDs ou DVDs originais. Eles diziam se sentir idiotas de pagar o valor oficial. Quando 71% assume em pesquisa cometer um crime, o problema é um pouco mais complexo: piratear passou a ser um ato de rebeldia e parte da cultura das pessoas.

Resta saber se isso irá acontecer novamente. O aumento da pirataria em si é uma previsão relativamente fácil. A dúvida é se, ao piratear conteúdo de meia dúzia de players, os consumidores continuarão propensos a assinar pelo menos um deles.

Sobre o Autor

Ricardo Cavallini é jurado do programa Batalha Makers Brasil, fundador da plataforma Makers e criador do RUTE, o kit educacional eletrônico mais acessível do mundo. Já escreveu seis livros sobre tecnologia, negócios e comunicação, foi apontado como uma das mentes mais inovadoras do setor no Brasil e recebeu dezenas de prêmios internacionais. Além de ter fundado a primeira agência digital do país, foi diretor de empresas como F/Nazca Saatchi & Saatchi, Euro RSCG 4D, W/Brasil e Organic inc. Na WMcCann, era vice-presidente de convergência.

Sobre o Blog

No blog, vai trazer dicas, debates e os vídeos que faz para quem curte o universo maker --sempre com uma linguagem fácil, para quem ainda não é expert.